Imagens mostram suspeito de matar gerente de banco em Anta Gorda mexendo em câmeras de condomínio
Um vídeo mostra o dentista Carlos Alberto Weber Patussi, suspeito de matar o gerente do Sicredi Jacir Potrich, mexendo em duas câmeras de segurança do condomínio onde o bancário foi visto pela última vez, antes de desaparecer em 13 de novembro de 2018, em Anta Gorda. As gravações são, de acordo com Polícia Civil e Ministério Público, de momentos após o gerente ter ido ao quiosque do residencial.
O dentista foi preso temporariamente em 23 de janeiro em Capão da Canoa, no Litoral Norte, e solto nesta quinta-feira (31) após a defesa solicitar o hábeas à Justiça.
Uma das câmeras mostra o dentista voltando da área do quiosque — local de uso comum dos moradores, onde foi Potrich foi visto pela última vez, limpando peixes, antes de desaparecer —, e pulando uma cerca para ter acesso ao terreno da própria casa. Segundo despacho da juíza de Encantado, Jacqueline Bervian, na cena, Patussi “demonstrou estar com vestes desalinhadas e comportamento alterado”.
Seis minutos depois, uma janela é aberta no segundo andar da residência de Patussi, de onde sai o dentista, que começa a caminhar pelo telhado. Ele permanece três minutos percorrendo a cobertura da casa, da parte inferior até a superior, passando por trás de uma caixa d’água. Em seguida, volta para perto da janela e para, colocando as mãos na cintura. Depois, encosta-se na parede. O dentista permanece parado olhando ao redor. Logo após, retorna para dentro da casa pela mesma janela.
Instantes depois, sai da residência, caminha pelo pátio e observa a câmera que o havia filmado no telhado minutos antes. Vai até outro cômodo da casa e retorna com uma vassoura. O dentista tenta por cinco vezes mudar o ângulo de captação do equipamento, até que, na sexta tentativa, consegue.
Logo após, a segunda câmera também é alterada. Com o movimento, o aparelho — que mostra o caminho para o quiosque — é desligado. Em depoimento na última terça-feira (29), a mulher do dentista, que não teve o nome informado, afirmou que avistou o marido com um cabo de vassoura no exterior da residência. A mulher tinha passado em casa para tomar banho e ir a um curso em Porto Alegre.
Segundos os investigadores, não havia motivos para a movimentação das câmeras, já que as imagens estavam nítidas e sem qualquer interferência, diferentemente de outro aparelho, que apresentaria teias de aranha. A polícia salienta que os horários das câmeras estão atrasados, fora do horário de verão.
Para o delegado Guilherme Pacífico, as imagens provam o envolvimento do dentista no crime. Segundo o policial, o homem parece estar pensando no que fazer quando subiu no telhado.
— Impossível que os dois não tivessem contato no quiosque — observa Pacífico, referindo-se a Patussi e Potrich.
Para o delegado, o dentista não tinha intenção de limpar os aparelhos.
— Ele não foi com o ânimo de limpar, mas de obstruir.
A reportagem tenta contato com o advogado do dentista, Paulo Olímpio Gomes de Souza, que não atendeu às cinco ligações feitas nesta sexta-feira (1º).
Fonte: GauchaZH